Porque
o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em
Cristo Jesus. Rm 6.23
Uma das trilogias que assisti
e ainda assisto várias vezes é O Senhor dos Anéis. Em inglês: The Lord of the
ring. A sequência foi dirigida por Peter Jackson e os livros, que não foram
poucos, por J. R. R. Tolkien. Era filólogo e professor universitário. Ensinou
em Oxford, de 1925 a 1959. Grande amigo de outro gênio da literatura, o autor
de As Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis.
A ambientação da trilogia se
passa na Terra Média. Lugar em que estão reunidos homens, elfos, anões, orcs,
magos e outros seres fantásticos. Você só descobrirá todas as informações
contidas nos filmes, inclusive a trilogia do Hobbit, se ler os livros, inclusive
o Silmarillion.
Como temos que partir de um
evento, escolhi a Segunda Era da Terra Média. Pois, ao iniciar o primeiro filme
da trilogia O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel tem descrito uma aliança
entre Elfos, Anões e Homens. Essa pequena introdução é toda narrada por
Galadriel, elfo feminina e que é um dos seres primordiais nesse mundo (Silmarillion).
Nessa aliança são forjados os anéis de poder, que serviriam para que cada ser
pudesse governar seus povos e reinos.
Três anéis para os Reis Élficos, sob o céu, e os mais justos entre eles;
Sete para os Senhores Anões, senhores sob a montanha e,
Nove para os Homens Mortais, que desejam o poder.
Segundo é descrito eles foram
enganados pelo Senhor do Escuro, no fogo da montanha da perdição, Sauron, que
forja o Um Anel, com a intensão de governar de forma tirânica toda Terra Média.
Neste anel, Sauron coloca toda sua maldade e desejo de exercer domínio sobre
todos os outros:
Um anel para a todos governar, um
Anel
para encontra-los,
Um anel para a todos trazer e na
Escuridão
aprisioná-los,
Na terra de Mordor onde as sombras se deitam.
Assim toda a trama dentro
deste Universo Fantástico se desenvolverá a partir deste Um Anel. Frodo e Sam,
Hobbits do Condado, terão a missão de leva-lo para a montanha da perdição e
destruir o Um Anel. Eles não estarão sozinhos, será constituída uma sociedade
chamada de: A Sociedade do Anel. Um anão, dois homens, um elfo, um mago e dois
hobbits.
Uma outra personagem é
introduzido nesta estória e aparecerá na trama para tentar à Frodo e Sam para
que não destruam o Um Anel. Essa personagem se chama Gollum, que conheceremos
como Smigau. A primeira vista não sabemos de onde ele veio e até mesmo quem ele
é. Mas temos suas características. O detalhe de quem ele é e como ele aparece
na trama da trilogia só serão revelados no último filme: O Retorno do Rei.
Smigol é um Hobbit, e como
todos tem certas características, como os pés grandes e peludos. A cena é uma
pescaria em que o seu colega, ao fisgar um peixe, cai do barco e é levado para
o fundo do rio. Lá ele vê uma coisa brilhante no fundo e o pega para si. Ao
chegar à superfície ambos lutam e Smigol acaba matando seu companheiro. É nesta
cena também que ouvimos pela primeira vez a expressão: MEU PRECIOSO.
Interessante notar é que ao vislumbrar o anel todos os
nossos sentimentos ruins são postos para fora. Veja-se que na cena há uma
fixação de olhar das duas personagens e depois a luta corporal, culminando na
morte de um deles.
Essa fixação pelo anel de
poder levará nosso amigo a uma vida na escuridão. Daí entendemos a natureza do
seu caráter, escuso, orgulhoso, maléfico. Desta forma sabemos que, não somos
nós que escolhemos o anel, é ele quem escolhe. Ao vermos esta cena lembramos-nos
do apóstolo Paulo em sua primeira carta a Timóteo 4.1:
Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e doutrinas de demônios.
E ainda no capítulo 3.1-3:
Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão dias difíceis, pois os
homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores,
desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis,
caluniadores [...].
Todas essas características
são aplicáveis à nossa personagem. Ele não medirá esforços para fazer com que
Frodo e Sam não destruam o anel nas chamas da Montanha da Perdição.
O que isso tem haver com o
texto bíblico? Tudo. Somos apresentados pelo apóstolo àquilo que de tão grave
nos atormenta, mesmo sendo salvos e escolhidos pelo Criador: O PECADO.
Em todo o texto, Paulo está
fazendo um paralelo entre morte e ressurreição. Ele já vem tratando sobre isso
desde o capítulo 3, advertindo e mostrando que o pecado é a consequência direta
da desobediência de Adão e que “não nem um justo, nenhum sequer”. Portanto,
assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte,
assim também a morte passou a todos os homens, pois todos pecaram. Rm 5.12.
Agora, neste capítulo, note-se
que é um texto dissertativo-argumentativo, que é a defesa de sua tese responder
a uma possível indagação que talvez, alguém poderia ter-lhe questionado: Então,
se somos salvos de uma vez por todas e por estarmos neste período de graça,
podemos fazer tudo. Inclusive pecar à vontade?
A pergunta é retórica: v.1:
Permaneceremos no pecado para que a graça aumente? Ou seja, quanto mais peco,
mais graça ele me dá. Ele vai responder de modo categórico: de maneira nenhuma!
E formular um questionamento ao seu interlocutor: v.2: Como viveremos ainda no
pecado, nós os que para ele morremos? Não há qualquer maneira de sermos salvos
e continuarmos vivendo na prática do erro.
O pecado não é para ser
experimentado, não é para servir de brinquedo e como consequência vivermos
brincando com ele, tê-lo como estimação, guarda-lo. O pecado desvirtua o homem,
enferma-o, quebra sua aliança com Deus e com os homens, gera culpa, remorso,
coloca-o no mais fundo abismo da moralidade, até leva-lo à morte. O salmista passou
por estes momentos e pôde descrevê-los:
Enquanto eu mantinha
escondidos os meus pecados, meu corpo definhava de tanto gemer. Salmos 32.4
Nós não nascemos para o
pecado, para sermos escravos dele, que é outra temática no texto. Somos escravos
daquele a quem nos submete-mos.
O pecado é algo inerente a
todo ser humano, nascemos com essa mancha. O salmista vai dizer que nasceu em
iniquidade e em pecado a sua mãe o havia concebido.
Cada um é tentado pelo seu próprio mal desejo, sendo por este arrastado e
seduzido. Então, esse desejo, tendo concebido dá à luz o pecado, e o pecado
sendo consumado gera a morte. Tg 1.14,15 (NVI).
Não há pecado grande ou
pequeno, uma mais grave outro mais leve, tudo que desvirtua o homem do que Deus
estabeleceu para ele é pecado e precisa ser banido da nossa vida. O Catecismo
Maior de Westminster traz a seguinte declaração em sua primeira pergunta:
Qual é o fim supremo e principal do homem?
R: O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo sempre.
Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26;
João 17:22-24.
Dessa
maneira, fica claro pela exposição acima o objetivo maior do ser humano como
obra prima da criação de um Deus tão Maravilhoso. Nas palavras de C. S. Lewis:
Não importa quão pequenos são os pecados desde que o seu efeito cumulativo seja desviar o homem para longe da luz, direto para o nada. (LEWIS, 2017)
Maldanado,
personagem do livro Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, retrata as estratégias e
artimanhas que são engendradas para aprisionar o homem, objeto nas mãos de seu
sobrinho Vermelindo. O autor vai de maneira bem didática nos mostrar que as estratégias
continuam as mesmas há milênios.
Gollum,
a personagem da nossa introdução, escolhe alimentar-se com o desejo de cobiça,
que é inerente a todos os seres, pelo Um Anel. Ele irá leva-lo a um caminho sem
volta. Durante toda a peregrinação de Frodo e Sam ele mente, coloca ciladas,
leva-os ao covil de uma grande aranha, joga fora os pães élficos dizendo que o
Sam havia comido todos, fazendo intriga entre os companheiros de viajem. Frodo
é a representatividade nossa de a cada dia levarmos a nossa cruz. Em um momento
Sam pede para dividir o peso desta carga, mas ter o Um Anel nas mãos é
colocar-se em perigo. Frodo toma para si essa responsabilidade.
O
que fazermos para que, assim como Gollum, não caiamos nas garras do pecado?
Tomando
como início o verso 2 em que que somos confrontados pelo Apóstolo sobre essa
vida dúbia, devemos reconhecer que a analogia entre batismo e morte,
ressurreição e vida, são pertinentes a nós cristãos, que assim como Cristo
morreu e essa morte é simbolizada pelo batismo, um mergulho na morte para uma
ressurreição em Cristo, somos convocados por Paulo a termos uma vida integra. A
não sermos mais escravos do pecado, pois o nosso velho homem foi sepultado e
agora “vivemos em novidade de vida”.
Não
precisamos e não podemos ser escravos do pecado, pois já fomos justificados por
Cristo e agora somos novas criaturas. Segundo ele, somos agora escravos da
justiça para darmos frutos dignos de arrependimento.
Três
lições podemos tirar e que se encontram nos versos 11-14, do capítulo 6:
1 – Considerai-vos morto para o pecado - v. 11.
λογιζεσθε εαυτους νεκρους
μεν τη αμαρτια.
O verbo λογιζεσθε,
logdzesthe, está na voz média, o que seria em português a voz passiva pronominal,
em que a ação recai sobre o próprio sujeito, vós. A αμαρτια, amartia, é
o erro perpetuado de geração após geração e que somente a morte de alguém, em
se tratando da própria família, poderia eliminá-lo. Nós não tínhamos condições
para tal, Cristo assume esta condição.
2 – Não reine, portanto, o pecado – v. 12.
ουν βασιλευετω η αμαρτια
O
verbo βασιλευετω, basileüetó, está na forma do imperativo, dando para nós uma
ordem, com o advérbio de negação traz um reforço dando a ideia de um mandamento
a ser seguido. Não deixe que o pecado seja soberano, rei, imperador na sua
vida, essa é a ideia do verbo.
3 – Não ofereceis os membros de seu corpo ao pecado – v. 13.
μηδε παριστανετε τα μελη
υμων οπλα αδικιας τη αμαρτια
O
verbo aqui, παριστανετε, paristanete, também
está no imperativo e voz média. Trazendo uma ideia de sacrifício que é
apresentado. O termo αδικιας, adikías, pode ser traduzido por injustiça, pois
precedido pelo alfa ou no português o a, traz a ideia daquilo que é contrário a
justiça. Paulo está, na forma de um mandamento, nos instruindo: não entreguem,
de maneira sacrificial, seus corpos como membros da injustiça.
Cada
uma dessas instruções trás consigo um contra ponto:
v. 11 – considerai-vos
mortos... mas vivos para Deus;
v. 12 – não reine...
para que não obedeceis suas paixões;
v. 13 – não ofereceis...
oferecei-vos à Deus.
Na
graça e/ou estando na graça, não há espaço pra pecarmos, na graça somos
impulsionados a amar o Senhor de todo nosso coração, de toda nossa força e de
todo nosso entendimento. Na graça somos levados a manter um estreito
relacionamento com Deus. Na graça não há como voltar à prática do pecado.
Precisamos
de maneira assertiva entender que não precisamos e não podemos viver nessa
prática, pois,
[...] o salário do pecado é a morte, mas o
dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus.




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