ELEGIARVM LIBER PRIMUS
CYNTHIA
SEXTI PROPERTI
Sextus Propertius, nasceu na
Úmbria, por volta de 45 a.C., que segundo dizem, ainda criança, por volta de 40
a.C., viu suas propriedades serem confiscadas. Mais tarde, assim como outros
poetas, com a finalidade de estudar direito, dirigiu-se para Roma. Como seus
predecessores e contemporâneos, dedica-se a compor, sobretudo, elegias amorosas
(Monteiro, 2006). Uma de suas publicações é o livro 1 que é dedicado a Cíntia (Cynthia monobiblos), teria sido publicado
em 27 a.C.
Sextus Propertius, nasceu na
Úmbria, por volta de 45 a.C., que segundo dizem, ainda criança, por volta de 40
a.C., viu suas propriedades serem confiscadas. Mais tarde, assim como outros
poetas, com a finalidade de estudar direito, dirigiu-se para Roma. Como seus
predecessores e contemporâneos, dedica-se a compor, sobretudo, elegias amorosas
(Monteiro, 2006). Uma de suas publicações é o livro 1 que é dedicado a Cíntia (Cynthia monobiblos), teria sido publicado
em 27 a.C.
Antes do século I a.C., a poesia lírica
alcança pouca expressão entre os latinos. Mas, a partir da metade do “século de
ouro”, o lirismo romano se afirma, tendo como grande expoente o poeta Catulo
com o seu poema 85 – Odi et amo:
Odi et amo, quare id faciam, fortassi
requiris.
Nescio, sed fieri sentio et
excrucior.
Odeio e
amo, por que motivo faço isto, perguntas talvez.
Não sei,
mas sinto acontecer e atormento-me.
(tradução minha).
Propércio faz parte do círculo dos poetas, que
além de Catulo, podemos citar Tibulo e Ovídio. Sua elegia é caracterizada por
um tom meloso, condoído e erótico. Isso não no sentido sexual, mas pela razão
de enaltecer o eros, o amor. Não
busca por si mesmo convencer-nos da verdade, mas deixa transparecer a si mesmo
como um simulacro caído, deitado e prostrado.
Cynthia
prima suis miserum me cepit ocellis, contactum nullis ante
cupidinibus.
Cíntia, a primeira, seduziu-me com seus olhos encantadores. A mim, um miserável, antes tocado por nenhuma paixão. (trad. minha).
Sempre começando pelo verbo, neste trecho
temos capere como o centro da ação.
Umas das acepções do verbo é capturar com a mão, tomar, em um sentido figurado
e poético pode ser seduzir, cativar, tornar prisioneiro. Essa última pode caber
aqui, pois o dativo ocellis reforça o
instrumento pelo qual ele fora capturado. É interessante notar que ocellus é diminutivo de ocullus e trata este instrumento de
sedução como algo sedutor e, como o próprio termo faz referência, pequeno. Eu
dei preferência a traduzir por sedução e que fora capturado por olhos
encantadores, pois pode acentuar a loucura da paixão. Isto é exatamente como o
poeta se sente: seduzido por algo incomum, os olhinhos.
Para os aedos (poetas) as musas eram as
inspiradoras do canto, eram o ponto de partida para aquilo que o poeta
desejasse compor ou declamar. Aqui temos uma musa diferente, que faz o poeta
ficar prostrado. Veja que isso é retratado no adjetivo miserum. Ele torna-se um pobre infeliz.
Adriano Bezerra de Araújo
Graduando em Letras Clássicas, habilitação em Latim e Grego, pela UFPB.


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