Pensamento Reformado em Meio a Crise

SOLA ESCRIPTURA, SOLA FIDE, SOLA GRATIA, SOLO CRISTUS E SOLE DEO GLÓRIA

terça-feira, 29 de janeiro de 2019


 ELEGIARVM  LIBER PRIMUS  

CYNTHIA



SEXTI PROPERTI


            Sextus Propertius, nasceu na Úmbria, por volta de 45 a.C., que segundo dizem, ainda criança, por volta de 40 a.C., viu suas propriedades serem confiscadas. Mais tarde, assim como outros poetas, com a finalidade de estudar direito, dirigiu-se para Roma. Como seus predecessores e contemporâneos, dedica-se a compor, sobretudo, elegias amorosas (Monteiro, 2006). Uma de suas publicações é o livro 1 que é dedicado a Cíntia (Cynthia monobiblos), teria sido publicado em 27 a.C.
         
         Sextus Propertius, nasceu na Úmbria, por volta de 45 a.C., que segundo dizem, ainda criança, por volta de 40 a.C., viu suas propriedades serem confiscadas. Mais tarde, assim como outros poetas, com a finalidade de estudar direito, dirigiu-se para Roma. Como seus predecessores e contemporâneos, dedica-se a compor, sobretudo, elegias amorosas (Monteiro, 2006). Uma de suas publicações é o livro 1 que é dedicado a Cíntia (Cynthia monobiblos), teria sido publicado em 27 a.C.

             Antes do século I a.C., a poesia lírica alcança pouca expressão entre os latinos. Mas, a partir da metade do “século de ouro”, o lirismo romano se afirma, tendo como grande expoente o poeta Catulo com o seu poema 85 – Odi et amo:

Odi et amo, quare id faciam, fortassi requiris.
                                               Nescio, sed fieri sentio et excrucior. 


Odeio e amo, por que motivo faço isto, perguntas talvez.         
Não sei, mas sinto acontecer e atormento-me.
(tradução minha). 



       Propércio faz parte do círculo dos poetas, que além de Catulo, podemos citar Tibulo e Ovídio. Sua elegia é caracterizada por um tom meloso, condoído e erótico. Isso não no sentido sexual, mas pela razão de enaltecer o eros, o amor. Não busca por si mesmo convencer-nos da verdade, mas deixa transparecer a si mesmo como um simulacro caído, deitado e prostrado. 





Cynthia prima suis miserum me cepit ocellis, contactum nullis ante
cupidinibus.







                 Cíntia, a primeira, seduziu-me com seus olhos encantadores. A mim, um miserável, antes tocado por nenhuma paixão. (trad. minha).


         Sempre começando pelo verbo, neste trecho temos capere como o centro da ação. Umas das acepções do verbo é capturar com a mão, tomar, em um sentido figurado e poético pode ser seduzir, cativar, tornar prisioneiro. Essa última pode caber aqui, pois o dativo ocellis reforça o instrumento pelo qual ele fora capturado. É interessante notar que ocellus é diminutivo de ocullus e trata este instrumento de sedução como algo sedutor e, como o próprio termo faz referência, pequeno. Eu dei preferência a traduzir por sedução e que fora capturado por olhos encantadores, pois pode acentuar a loucura da paixão. Isto é exatamente como o poeta se sente: seduzido por algo incomum, os olhinhos.
         
       Para os aedos (poetas) as musas eram as inspiradoras do canto, eram o ponto de partida para aquilo que o poeta desejasse compor ou declamar. Aqui temos uma musa diferente, que faz o poeta ficar prostrado. Veja que isso é retratado no adjetivo miserum. Ele torna-se um pobre infeliz.  

Adriano Bezerra de Araújo
Graduando em Letras Clássicas, habilitação em Latim e Grego, pela UFPB.

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